Básico

15 minutos olhando para a tela, esperando as palavras chegarem facilmente como acontece quando não estou feliz.

Escrever triste ou com raiva é fácil, escrever quando você está em paz ou alegre é um pouco mais complicado.

Eu digo isso para ele, que preciso de prática. Ele concorda, mas diz que eu consigo. É a sua frase, dizer isso é automático quando alguém tem dificuldade com qualquer coisa: “você consegue”. É engraçado porque, ao mesmo tempo que soa quase irônico, é sincero também. Ele é assim, dificilmente vai ser direto, a piada é seu jeito de esconder como se importa.

Eu sou uma pessoa mais feliz por tê-lo na minha vida, ele é um grande alívio, um porto seguro, um pouco de sanidade no meio de tanta loucura, apesar do jeito caótico e zombeteiro. Em pouco tempo eu já o amo e sinto falta quando não conversamos.

Ele não se abre, não sei se é porque não se acha importante ou interessante o suficiente para falar de si mesmo. Ou porque ele também prefere ouvir em vez de falar. Engraçado, ele é muito melhor que eu nisso, geralmente sou a ouvinte das pessoas, desde amigos próximos ou não tão próximos até gente aleatória que nunca conversou comigo. Mas com ele o assunto sou eu ou coisas da vida. Nunca ele. O único dia que foi sobre ele eu me senti assistindo um cometa que só passa a cada 70 anos, aproveitei cada palavra dita, cada opinião, cada história. O jeito como ele se expressa, como ele se diverte em me enrolar para falar, pois sabe que eu sou curiosa e estou sedenta por mais. Sou um norte americano e ele é um presidente decente. E ele sabe disso.

Lembro da primeira vez que conversamos de verdade, horas depois de eu ter puxado assunto enquanto bêbada, peço desculpas por isso e falamos sobre aleatoriedades como filmes e quadrinhos. A conversa acaba porque ele precisa estudar e eu o chamo de inteligente, ele não gosta, diz que sou condescendente. Nós não nos conhecemos ainda, então obviamente eu não sabia que ele odeia qualquer tipo de rótulo porque isso cria expectativas. E ele não sabia que eu não faço elogios ao vento.

Dias e dias passam e, quando algo ruim acontece comigo e eu preciso ficar longe das pessoas, ele pergunta o que há e se eu estou bem. Bem ali, pouco menos de um mês atrás, começa.

Não parece que o conheço há poucos meses, não parece que viramos amigos há 3 semanas. A falta que sinto quando não estamos falando (normalmente porque um dos dois está dormindo, afinal, diferentes fuso horários) não é de quem se conhece há 3 meses.

E esse título não faz sentido algum, porque de “básico” ele não tem nada, mas a palavra lembra o nome dele, então vou deixar assim.

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