Vivendo com Ansiedade III

O coração parece estar a 180bpm, mas não está nem a 80.
A cabeça não para de pensar em todas, mas todas as coisas ruins que aconteceram, estão acontecendo e que acontecerão.
E, no fundo, tem a depressão, como uma névoa que toma minha cabeça e me deixa dormente.

Me sinto quase a personificação de um paradoxo quando isso acontece: por um lado, a sensação de que meu coração vai explodir e, por outro, parece que a gravidade é 10 vezes mais forte só em volta do meu corpo, e eu não consigo me mexer.

É como se eu fosse segurar um espirro e isso desencadeasse uma combustão interna, sem sinais externos.

É cansativo, é desesperador. É um buraco escuro, úmido, que não é confortável, mas drena as energias e eu penso “preciso sair daqui”.

Falar ou pensar é tão mais fácil do que fazer…

E tudo isso leva à culpa que eu sinto, como se eu fosse fraca e preguiçosa.

Lembro do meu Seu Armando dizendo que tudo isso é “desculpinha esfarrapada”. Quem nunca teve um desses, não é mesmo?

Ou vários.

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O clube das pessoas quebradas

Na verdade não é um clube. Não é um grupo fechado… São pessoas que você encontra sem querer no meio da multidão.
É como se nós pudéssemos sentir quando um de nós está perto, mesmo não nos conhecendo (ainda).

Eu os encontro, ou eles me encontram. Nós nos achamos e a conexão é óbvia pois, mesmo sem verbalizar, sabemos que nossa dor é parecida. E assim nos aproximamos, confidenciamos, idealizamos. Secretamente torcendo para que isso dure, que aquela pessoa ajude com o meu buraco no peito, do mesmo jeito que quero ser quem faz o mesmo por ela.

O clube das pessoas quebradas aumenta; meu clube. É uma coleção. Gosto de tê-los perto, gosto de sentir sua dor e falar sobre isso, ouvir o que eles querem dizer porque ninguém mais o faz.

Talvez eu seja uma sociopata que se alimenta da dor alheia. Talvez eu simplesmente saiba que meu buraco nunca será tapado, então tento ajudar com o dos outros. Talvez as duas coisas.

O clube das pessoas quebradas diminui; eu fico. Eu sempre fico. Eles vem, vão, às vezes voltam ou não, mas eu sempre espero por quem quiser entrar.

O clube das pessoas quebradas me distrai, mas também me machuca. A dor deles vira minha e eu não compartilho com ninguém.

O clube das pessoas quebradas é minha sina e meu paraíso, como tudo que eu amo.

Vivendo com a Depressão

É como se a gravidade fosse maior. Como se eu fosse meu próprio planeta e a gravidade fosse maior do que a da Terra.

Por isso, às vezes, é difícil sair da cama. É difícil tomar banho, trocar de roupa, ir na padaria. Tem uma força puxando você para baixo o tempo todo.

Além da força física te impedindo de seguir uma rotina comum, a cabeça… É como se seu cérebro fosse dominado pelo Tom deprimido:

Sad Tom

Esse é meu cérebro quando a depressão bate. Esse aí é o Tom com o coração partido, mas para efeitos de ilustração, serve.

Até porque, pelo menos comigo, a crise de depressão até parece um tipo de fossa. Eu me sinto  a pior pessoa do mundo, não quero falar com ninguém, não quero me mexer, só quero que o tempo passe o mais rápido possível, pular para a parte que eu fico bem e esqueci o ex. O problema é que não tem ex para esquecer, então toda a “fossa” pode durar semanas e semanas sem ter alguém para eu culpar.

“Mas, Isa, você tem um monte de amigos que se importam, alguns estão até em outros continentes e fazem de tudo pra saber se você está bem”. Pois é, eu sei. E isso me faz sentir pior, pois como pode alguém com tantas pessoas boas em volta ainda se sentir tão sozinha? A lógica não faz parte da vida quando você tá numa espiral de depressão (ou ansiedade) e seus sentimentos estão tão ajeitados quanto Taiwan depois do tsunami de 2005.

No meio disso tudo, sempre tem alguns elementos especiais que ajudam a piorar tudo. Não é culpa de ninguém, na verdade, as pessoas não são vilãs de novela mexicana e as situações não foram tramadas por essas vilãs. Mas é como se fosse. É como se tudo e todos estivessem ou conspirando contra você ou com dó ou totalmente indiferentes. E mesmo isso não sendo verdade, dói.

Dói sentir o vazio que eu carrego aqui dentro. Dói pensar que nada, ninguém, pode preencher ele a não ser eu mesma e que eu não sei de onde vou tirar essa força. Tudo dói.

E ainda tem a gravidade extra-forte do meu próprio planeta me puxando para baixo.