A carta a quem interessar possa VI

Amigo, não escrevo há meses e, por isso, peço desculpas.
Acabei presa nos meus próprios problemas e esqueci de manter contato e hoje, claramente, preciso desabafar e por isso estou escrevendo.

Espero que você não se importe, amizades acabam sendo assim, certo? O contato se baseia unicamente no que as partes precisam e, no nosso caso, nós nos escrevemos quando precisamos desabafar.
No meu caso, queria te fazer uma pergunta:

O que fazer quando você quer, sente que precisa e é como se seu corpo fosse explodir em bilhões de pedacinhos caso você não conseguisse um pouco de contato físico, mas, ao mesmo tempo, a ideia de deixar outro ser humano te tocar é… assustadora e agoniante?

A falta que o toque específico, com o perfume certo, da pessoa certa faz falta às vezes. E o cérebro vai a milhão, tentando encontrar formas e desculpas pra conseguir tudo aquilo de novo. O pior de tudo é saber que não existe nada disso, que, na verdade, sua mente se acostumou com aquela pessoa e o caminho mais fácil contra a solidão seria ter tudo aquilo de volta.

A solidão é sempre pintada como algo negativo, como a escuridão. Ficar sozinho pode significar o fim de algo, algo que talvez você desse como garantido; ou talvez nem estivesse totalmente feliz, mas acomodado. Somos ensinados desde criança: tenha muitos amigos, encontre sua alma gêmea, não fique sozinho, seja bem sucedido em todos os aspectos da sua vida.

Mas ninguém te avisa que ter tudo isso beira o impossível. Que ser feliz em um relacionamento romântico dá trabalho porque não é só você, não é só 1 corpo. São 2 pessoas, dois cérebros, dois corpos com infinitas vontades, medos, desejos, segredos. Que escolher uma faculdade com 17/18 anos pode levar a uma vida profissional frustrada. E que amizades são tão frágeis quanto as mentiras que contamos a nós mesmos para seguir em frente, ainda buscando um sucesso artificial.

O final, o encerramento de relações pode trazer a solidão que normalmente é vista como entrar em um túnel escuro ou cair em um poço. Escura, fria, nada amistosa. Mas não seria ela a melhor professora para te ensinar que é possível se reinventar, mudar, começar de novo?

Afinal, todo fim é bom. Basta lembrar de seguir em frente ou subir de novo. O mundo vai estar aqui, esperando.

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