A carta a quem interessar possa V

Querido amigo, quanto tempo!

Perdão por não manter contato, eu normalmente escrevo quando estou muito feliz ou muito triste e passei muitos meses estando nem um e nem outro, por isso a ausência.

Você não perdeu muita coisa, meu país está em um cenário político-social cada vez pior e a economia continua uma bagunça. Obviamente quem mais sente tudo isso são os que não tem ferramentas e meios de se defender e lutar contra, mas isso fica para outra carta…

Eu decidi escrever porque percebi que, novamente, após um período de fechamento emocional, eu me abri. E foi muito fácil. Assustadoramente fácil. É fascinante como algumas pessoas são tipo o Rei Arthur com aquela espada, mas, em vez de espada e pedra, é nossa mente e disponibilidade emocional.

Em 2 horas, você sai de Ok, vamos, não custa conhecer alguém novo para Puta que pariu, fodeu com um sorriso idiota na cara.

O grande problema disso tudo é que assusta. Você não vê chegando, na verdade, você acha que aquilo, aquela pessoa, nunca te atingiria como atinge. E, do nada, você olha o telefone toda hora, espera por mensagens, agradece aos deuses da tecnologia por ter desativado o “última vez online” e os checks azuis do Whatsapp. É patético, pois você já está velho demais para essas coisas, você tem outras (grandes) preocupações e problemas. Mas o que pesa no seu dia é a porcaria de uma mensagem visualizada e não respondida em outro aplicativo.

Culpa? Ninguém tem culpa. Não há promessas, nunca houve, e não existem cobranças ou débitos. A vida é assim, nem tudo é recíproco. Nem tudo é como Call Me By Your Name, onde você vive um amor puro num cenário do verão italiano. Quem me dera fosse assim, pelo menos eu aproveitaria a paisagem.

Na verdade, é um alívio ver que eu ainda posso me sentir assim, sabe? Tem momentos em que eu acho que já vivi o que tinha para viver emocional e romanticamente, mas não, claro que não, eu tenho 27 anos. Ainda tenho espaço e tempo e vontades. Ainda sou alguém que, por mais que eu finja que não, gosto de ter outra pessoa do meu lado.

Então, amigo, é isso. Que as próximas cartas que sejam menos melancólicas e mais felizes. Ou que pelo menos eu reclame sobre outra coisa.

Anúncios

2 comentários sobre “A carta a quem interessar possa V

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s