A carta endereçada a quem interessar possa

Querido amigo, como vai?

Estou escrevendo porque sei que não mantemos contato há algum tempo e isso me incomoda, então vou aproveitar esse simbólico início de um novo ciclo. Sei que eu poderia enviar uma mensagem no Whatsapp ou Telegram, ou até no Facebook, talvez um e-mail? Mas prefiro escrever aqui, é mais pessoal.

Imagino que sua primeira pergunta seja “como vai a vida?” e eu só posso responder com: na mesma velocidade de sempre, com destaque para as novas exceções – muitos relacionamentos a menos, outros relacionamentos a mais. Sabe aquela amizade que você jura de pé junto que nunca vai acabar? Ah, vai. E vai ser do jeito mais idiota possível, pois assim é a vida e os relacionamentos, idiotas. Todos nós. A diferença é, com o tempo, às vezes nós nos enchemos da idiotice alheia e por isso a amizade/namoro/casamento/parceria comercial acaba.

Além, aprendi a valorizar mais minha saúde mental ao dinheiro. Gostaria de destacar que esse tipo de escolha vem acompanhada de um caminhão de privilégios e, também, de consequências que não são tão fáceis de lidar. Mas é isso ou desistir, e eu já tentei desistir algumas vezes, as cicatrizes coçam (literalmente), me lembram como eu tô sempre a um passo do precipício, mas que também tô a um outro passo de me distanciar mais dele. Ou seja, perspectiva?

Não, não virei uma otimista. Deus me livre desse tipo de maldição. Mas gosto de fingir que ganhei mais conhecimento sobre um aspecto que seja da vida. Se não for pra aprender, tomar na cabeça vira mais uma coisa que fazemos mecanicamente sem nos perguntamos que porra tá acontecendo. E de trejeitos, manias e rotinas mecânicas já nos basta o trabalho e 98,8% das relações com as pessoas em volta.

Também tem aquela coisa das pessoas ficando mais malucas. Sabia que, após morrer esfaqueado, o morto foi chamado de culpado por ter provocado quem o matou. Sim, a provocação realmente fez jus à morte, afinal, quem aquele moleque pensava que é para se assumir gay para a família? O pai teve direito de fazer o que fez. O moleque também tinha direito de se assumir gay, mas aí ele deu espaço pro pai também exercer o direito dele de matar, né? Mundo maluco.

Amigo, eu sinto sua falta, você some desse jeito, pois você também pode enviar uma mensagem pra mim, sabe? Mas você não o faz. E enquanto escrevo essa carta penso se não estou sendo deselegante ou chata, afinal, por que as relações se resumem à mão única? Sempre ouço pessoas reclamando que o outro não foi atrás, não falou nada, então eu pergunto “mas o que você falou?” e a resposta normalmente é “nada! Mas não sou eu que preciso falar primeiro”. A vida anda tão maluca que existe uma Guerra Fria para início de conversas. Vai entender.

Mas se você não me responder, eu também não tento mais. Afinal, isso é um passo, certo? Isso é um sinal, é uma abertura. Eu tô aqui, tirando um tempo das minhas 24hrs para escrever para você. Agora é sua vez, afinal, existe uma Guerra Fria nas conversas.

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11 comentários sobre “A carta endereçada a quem interessar possa

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